Mesmo com queda no consumo de aço, 2022 deve ficar entre melhores anos da década

24/08/2022 | Valor Econômico

A revisão que está sendo feita nas estimativas do setor para 2022 certamente trará para baixo a projeção de consumo aparente na comparação anual, porque “2021 foi muito forte”




Reunidos no Congresso Aço Brasil 2022, presidentes das maiores siderúrgicas do país reforçaram a mensagem de que, embora o consumo aparente nacional de aço deva recuar frente a 2021, ainda assim o ano ficará entre os melhores da última década em termos de desempenho.






Na abertura do painel de debate com os CEOs, o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, a revisão que está sendo feita nas estimativas do setor para 2022 certamente trará para baixo a projeção de consumo aparente na comparação anual, porque “2021 foi muito forte”.





“Todas as simulações de queda, até agora, dizem que ainda assim 2022 fica acima da média anual da última década, o que é bastante representativo”, comentou.





Segundo o presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO de aços longos e mineração Latam do grupo, Jefferson De Paula, assim como se viu no fim do ano passado, 2022 está sendo volátil e marcado por incertezas, diante dos impactos remanescentes da pandemia e da invasão da Ucrânia pela Rússia.





“Ainda assim, estamos conseguindo trabalhar bem”, ponderou, acrescentando que hoje a previsão para o PIB é bem melhor do que o projetado inicialmente. “Vai ter uma redução em relação a 2021 [no consumo aparente de aço] porque ano passado foi extraordinário. Mas com todo esse contexto, a Arcelor vai ter um ano muito bom”, disse.





O presidente do conselho de administração da UsiminasSergio Leite, também tem expectativa positiva para o ano em curso.





“Estamos avançando bem neste momento na economia brasileira. Estamos otimistas não só com 2022, mas com o futuro do Brasil”, observou.





O executivo lembrou que a forte alta do consumo de aço em 2022 foi puxada pela demanda efetivamente maior e também pela recomposição de estoques.





“Neste ano, mesmo que venhamos a ter queda de consumo aparente do aço, vamos ter em 2022 um dos três ou quatro melhores anos da última década”, afirmou.





Na Gerdau, disse o presidente Gustavo Werneck, a perspectiva é terminar o ano com entregas similares às vistas em 2021. “Vamos fechar um ano muito positivo. Dos setores em quem atuamos, o único que não deve mostrar crescimento mais estruturado é o varejo”, comentou. No varejo, nível de renda e elevado endividamento das famílias devem pesar, acrescentou.





Em outros setores, o ambiente é mais positivo, destacou o executivo: há demanda represada no setor automotivo, a construção civil vive o ápice em termos de canteiros de obra ativos e os setores industrial e de máquinas e equipamentos estão pujantes. “Temos tudo para fechar um ano positivo”, afirmou.





O executivo citou que, no segmento de veículos pesados, o governo federal deve assinar até 2 de setembro o programa de renovação de frota, o que deve impulsionar a demanda de caminhões.





Para o presidente da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), Marcelo Botelho, 2021 foi um ano muito bom e 2022 vai ser o segundo melhor da história da empresa. Fabricante de semi-acabados, a siderúrgica elevou a aposta em aços de alta qualidade e portfólio diversificado nos últimos anos, o que possibilita mitigar parte dos efeitos da volatilidade e da incerteza econômica em seu desempenho. “O Brasil está no caminho certo, a indústria do aço está no caminho cero”, afirmou.





Para alcançar a meta de dobrar o consumo per capita de aço no país, indicou Sergio Leite, é preciso que o PIB avance nos próximos anos, além de investimentos em infraestrutura e na construção civil.





“A melhora do consumo aparente vai decorrer de iniciativas do setor privado, não do governo. Não acredito também em protecionismo”, comentou. Por outro lado, acrescentou, há políticas públicas que podem contribuir para esse avanço e tornar o Brasil uma “potência de primeiro mundo e mais industrializada”.








Para alcançar a meta de dobrar o consumo per capita de aço no país, é preciso que o PIB avance nos próximos anos, além de investimentos em infraestrutura e na construção civil — Foto: Bloomberg


Para alcançar a meta de dobrar o consumo per capita de aço no país, é preciso que o PIB avance nos próximos anos, além de investimentos em infraestrutura e na construção civil — Foto: Bloomberg






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