Horizonte favorável

29/08/2022 | Valor Econômico

Com projeção de investimentos de R$ 52,5 bi, setor vê novo ciclo de expansão




A indústria do aço programa investimentos de R$ 52,5 bilhões no Brasil até 2026. Os projetos em execução somam R$ 11,9 bilhões. No pipeline para os próximos quatro anos estão empreendimentos que demandarão outros R$ 40,6 bilhões, se forem confirmados.






“As perspectivas para o aço são positivas e as empresas estão empenhadas em inovar, melhorar a eficiência de seus processos produtivos e ajustar o mix de produtos à demanda”, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil.





A indústria siderúrgica brasileira, a nona maior do mundo, viveu em 2021 um ano de recuperação, após sete longos anos de declínio, e esse fato estimulou o planejamento de novos investimentos. Em 2021, a produção de aço bruto no país cresceu 14,8% e somou 36,1 milhões de toneladas, sendo 22,3 milhões de toneladas destinadas ao mercado interno e 10,97 milhões de toneladas exportadas.





O consumo aparente de aço no ano passado foi de 26,3 milhões de toneladas, 136 kg por habitante. O volume ainda é inferior ao consumo per capita de 155 quilos e total de 28 milhões de toneladas registrado em 2013, mas significativamente superior ao de todos os outros anos nesse intervalo de tempo.





O Instituto Aço Brasil está revendo suas projeções para 2022, mas já admite que os resultados poderão ser inferiores ao verificado no ano passado. “O que podemos afirmar é que será um ano bom, o segundo melhor desde 2013”, diz Mello Lopes.





Olhando para 2023 e adiante, o setor trabalha com a perspectiva de um ciclo de expansão consistente do consumo de aço. “Os próximos dez anos serão muito melhores do que foram os últimos dez”, diz Gustavo Werneck, presidente da Gerdau.






Empresas estão empenhadas em inovar, melhorar a eficiência de seus processos e ajustar o mix de produtos à demanda"

— Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil



Um impulso importante no consumo do aço deverá vir do aumento dos investimentos em energia renovável. “O aço é insumo básico nos parques eólicos e solares e nas novas linhas de transmissão”, diz Werneck.





A modernização da frota de veículos, com uma maior participação de automóveis, ônibus e caminhões elétricos e a gás natural, e a demanda por máquinas e equipamentos energeticamente mais eficientes também devem incentivar a procura pelo metal, assim como a adoção de processos produtivos industrializados na construção civil.





Outra fonte de expansão do consumo de aço é o avanço dos investimentos em infraestrutura no país. Concessões já realizadas de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos resultam em plano de investimentos superior a R$ 100 bilhões nos próximos anos.





O novo marco legal do saneamento já resultou em contratos que superam R$ 70 bilhões, de acordo com o Ministério de Desenvolvimento Regional. Há ainda expectativa de retomada dos investimentos em gasodutos, resultado da nova regulamentação do gás natural, e uma expansão dos incentivos públicos para a construção de casas populares.





“O Brasil possui muitas carências sociais e de infraestrutura e não é de hoje que se fala em superar essas carências. Nossa percepção é que o país agora está maduro para dar um salto de qualidade em seus investimentos e superar gargalos históricos, independentemente de quem esteja no governo”, diz Jefferson De Paula, presidente da ArcelorMittal. “Fizemos as reformas previdenciária e trabalhista, estamos prontos para fazer a reforma tributária. Esse novo cenário gera estabilidade e estimula investimentos”, afirma.





O plano de investimentos da ArcelorMittal soma R$ 7,8 bilhões até 2025. Entre os principais projetos está a expansão em um milhão de toneladas por ano da capacidade da usina de João Monlevade (MG), que passará a 2,2 milhões de toneladas anuais (mt/a). A mina de Serra Azul (MG) terá sua produção de minério de ferro triplicada, passando para 4,5 mt/a. A fábrica de laminados Vega, em São Francisco do Sul (SC), terá a produção ampliada de 1,6 para 2,2 mt/a.






O aço é insumo básico para os novos parques eólicos e solares e também para as novas linhas de transmissão de energia"

— Gustavo Werneck, presidente da Gerdau



Em julho, a ArcelorMittal acertou a aquisição da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), em São Gonçalo do Amarante (CE), com capacidade de três milhões de toneladas de placas de aço por ano. O negócio de US$ 2,2 bilhões ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Atividade Econômica (Cade).





“É uma unidade estratégica para suprir a demanda global do grupo ArcelorMittal por placas de aço”, diz De Paula, que faz questão de ressaltar que os contratos atuais serão mantidos e a CSP poderá ser expandida. “A capacidade poderá ser dobrada sem demandar grandes investimentos”, afirma. O aval do Cade, se concretizado, estabelecerá a ArcelorMittal como produtora de 40% do aço brasileiro.





A Gerdau executa um programa de investimentos de R$ 4,5 bilhões em 2022. O principal projeto é a expansão da usina de Ouro Branco, em Minas Gerais, que terá capacidade de produção de bobinas a quente ampliada em 30%, somando 250 mil toneladas por ano, e a produção de perfis estruturais irá dobrar, com mais 500 mil toneladas por ano em 2025.





A companhia destina R$ 800 milhões a projetos que ampliam a sustentabilidade de suas atividades. Um deles substitui o carvão mineral de origem fóssil no processo de redução do minério de ferro para a produção do aço na usina de Ouro Branco por carvão vegetal, de floresta plantada de eucaliptos.





Um investimento já confirmado para 2023 é da Usiminas, que programa reformar o alto-forno 3, o maior e mais importante do complexo siderúrgico de Ipatinga, em Minas Gerais, com capacidade aproximada de produzir 2,7 milhões de toneladas anuais. A reforma terá inicio em abril, demandará 110 dias e recursos que somam R$ 2,1 bilhões.





Antes disso, em outubro, a Usiminas retoma a produção no alto-forno 2, com capacidade para 700 mil toneladas anuais. O equipamento está paralisado desde 2018, quando passou por uma reforma e não voltou a operar antes por falta de condições mercadológicas. A retomada foi aprovada pelo conselho de administração da companhia em julho.





“A paralisação do alto-forno 3, que responde por 60% de nossa produção, exigirá a formação de estoques suficientes para garantir o atendimento pontual de nossos clientes”, diz o presidente da Usiminas, Alberto Ono.





A Usiminas obteve em 2021 uma receita líquida de R$ 33,7 bilhões, valor 109,7% superior ao registrado no ano anterior. O lucro líquido foi um recorde histórico, R$ 10,1 bilhões, crescimento de 679% em relação a 2020. Gerdau e ArcelorMittal também reportaram resultados financeiros recordes em seus balanços anuais. Alberto Ono classifica 2022 como um ano morno.






“A venda de aço reflete o desempenho da economia. Temos sinais positivos vindo de setores como o automotivo, o de energia e máquinas agrícolas, mas também inflação e alta nos juros”, afirma. “Precisaria de uma bola de cristal para prever como será 2023”, diz o executivo.





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