Consumo aparente de aço deve cair 2,4% neste ano

06/12/2019 | Valor Econômico

IABr revisa pela terceira vez as estimativas para o setor em 2019 em função do baixo crescimento econômico



A expectativa do setor siderúrgico de recuperação da economia e consequentemente das operações das usinas não se confirmou em 2019. O Instituto Aço Brasil (IABr) revisou ontem, pela terceira vez neste ano, a estimativa para consumo, produção, vendas e balança comercial. Conforme os dados divulgados pelo IABr, o consumo aparente de aço deve cair 2,4% neste ano para 20,7 milhões de toneladas. A expectativa anterior era aumento de 2,1%, somando 21,65 milhões de toneladas.






Segundo o presidente executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, o primeiro trimestre deste ano foi muito ruim e a economia frustrou a condução dos negócios das siderúrgicas no país. A estimativa é que a produção neste ano deverá apresentar queda de 8,2%, passando de 35,4 milhões de toneladas em 2018 para 32,49 milhões de toneladas em 2019. A estimativa anterior era de alta de 0,4%. Já as vendas internas devem recuar 2,3% para 18,48 milhões de toneladas. Até julho, quando foi feita a última revisão, o Aço Brasil esperava aumento de 2,5%.





As exportações de aço devem cair 6,7%, para 13 milhões de toneladas. Já em valores o recuo deverá ser de 14,1%, para US$ 8,87 bilhões. Anteriormente se esperava um queda de 7,3% e 12,4%, respectivamente. Em importações, as novas estimativas são de alta de 2,1% no volume, chegando a 2,45 milhões de toneladas, e queda de 3,55% em valor, para US$ 2,52 bilhões.





“Com o mercado interno em queda e as dificuldades na exportação, as siderúrgicas operaram com utilização de capacidade instalada de 64%. O ideal é acima de 80%. O setor, para ter resultado, tem que melhorar a utilização dessa capacidade”, disse Mello Lopes.





Para reduzir a ociosidade das usinas e chegar a uma utilização de 67% da capacidade, Mello Lopes acredita que as siderúrgicas têm que produzir mais 9,5 milhões de toneladas de aço. A expectativa de aumento do consumo aparente no próximo ano é de 5,2%, chegando a 21,77 milhões de toneladas. Já a estimativa de produção em 2020 é de alta de 5,3%, alcançando 34,2 milhões de toneladas. As vendas internas devem chegar a 19,44 milhões, evolução de 5,1%. “Com o mercado interno desse jeito, ainda que otimistas com as projeções para 2020, temos a necessidade de aumentar a exportação”, disse ele.





O setor siderúrgico, no entanto, foi surpreendido pelo presidente dos Estados Unidos, Donaldo Trump, que deseja sobretaxar a importação de aço do Brasil e Argentina. Mello Lopes disse que recebeu com perplexidade essa possibilidade. Segundo ele, ainda não há posição oficial do governo americano, mas o Brasil e o setor privado estão trabalhando para que isso não se concretize. “Isso é desprovido de qualquer sentido técnico. O Twitter, mesmo não formalizado, já criou um pandemônio no mercado. Muitas negociações estão paradas em função disso.”





Segundo ele, o Brasil não é exportador líquido para o mercado americano. Isso porque as siderúrgicas brasileiras importam por ano cerca de US$ 1 bilhão em carvão metalúrgico, além das importações de produtos acabados que anualmente corresponde a uma receita de US$ 4,3 bilhões.






Ele disse ainda que dois escritórios internacionais especializados nesse tipo de contencioso já procuraram a instituição para, caso se concretize mais essa restrição, o setor privado judicialize a questão, como fez a Turquia. “Estou com um 45 apontado para a cabeça, não vou esperar que disparem.”





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