Aço Brasil vê curva de recuperação

28/07/2020 | Valor Econômico

Em junho, crescimento em relação a maio foi de mais de 29% nas vendas internas e no consumo aparente (que inclui importações) do mercado brasileiro





Lopes: “O pior já passou, mas ainda não é suficiente. Ociosidade está em 51,5%” — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Lopes: “O pior já passou, mas ainda não é suficiente. Ociosidade está em 51,5%” — Foto: Ana Paula Paiva/Valor






Após atingir o “fundo do poço” em abril, a indústria siderúrgica brasileira está em trajetória de recuperação. A melhoria do cenário foi observada a partir dos indicadores do setor em junho, na comparação com o mês anterior. Segundo o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, porém, o elevado índice de ociosidade das unidades brasileiras ainda é preocupante.






De acordo com dados do Aço Brasil, a produção de aço bruto no primeiro semestre do ano alcançou 14,2 milhões de toneladas, com queda de 17,9% em relação à primeira metade do ano passado. Na mesma comparação, as vendas internas recuaram 10,5%, para 8,3 milhões de toneladas, e o consumo aparente também caiu 10,5%, totalizando 9,3 milhões de toneladas.





Em junho, já houve expressiva melhora em relação a maio, com crescimento de 29,6% das vendas internas (1,55 milhão de toneladas), e de 29,4% do consumo aparente (1,74 milhão de toneladas). A produção de aço bruto, porém, recuou 5%, na mesma comparação, para 2,078 milhões de toneladas.





Segundo Lopes, o aumento das vendas em junho ocorreu sobre a base deprimida de maio. “O pior já passou. Estamos em uma trajetória de retomada, o que é bom para o setor, bom para o país e bom para a indústria de transformação. Mas não é o suficiente”, afirmou ele, ressaltando que a taxa de ociosidade das siderúrgicas brasileiras está em 51,5%. “Nosso grande dilema agora é aumentar o grau de utilização da capacidade”, completou o executivo, em entrevista coletiva via internet.





Outro indicativo de retomada no setor foi que dos 13 altos fornos que estavam paralisados durante o pior momento da crise, três já voltaram a operar. Segundo Lopes, as unidades que retornaram pertencem à Sinobrás, Gerdau e ArcelorMittal Tubarão.





A retomada da trajetória positiva, porém, não será suficiente para evitar a consolidação de números negativos no fim do ano. A previsão do Instituto Aço Brasil é de uma queda de 13,4% da produção de aço bruto neste ano, em relação a 2019, para 28,2 milhões de toneladas. Na mesma comparação, a instituição estima uma queda de 12,1% das vendas internas, para 16,5 milhões de toneladas, e de 14,4% do consumo aparente, totalizando 17,9 milhões de toneladas.





Destacando que os indicadores atuais da indústria siderúrgica do país voltaram ao patamar de 15 anos atrás, Lopes disse que a saída para a crise é aumentar as exportações. O problema, porém, é o protecionismo de outros países. No mercado doméstico, o executivo chamou a atenção para a necessidade de aprovação das reformas.





Com relação à reforma tributária, Lopes disse enxergar um clima favorável entre Executivo e Legislativo para a discussão e aprovação da matéria. “A proposta do governo é convergente com os chassis das propostas que estão no Congresso”.





Segundo o executivo, a Câmara dos Deputados está “completamente comprometida” com a questão da reforma tributária. “O Rodrigo Maia [presidente da Câmara] respira reforma tributária”. Já o Senado, na visão do presidente do Aço Brasil, ainda vai ter de passar por um processo de “aculturamento” e de maior conhecimento do teor das propostas da reforma.





O executivo destacou ainda que a reforma tributária é a mais importante dentro da agenda de reformas do governo Bolsonaro. “A prioridade absoluta está vinculada à retomada do crescimento do país. E essa retomada só pode acontecer se for feito o dever de casa”, completou Lopes.




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